Mundial de F-1 2010
GP do Bahrain marca início da temporada 2010
Tenho por princípio tentar não criar grandes expectativas com qualquer evento para evitar frustrações, mas quando há muitos indícios de que um acontecimento futuro será bom é difícil resistir-me. É o caso da próxima temporada de F-1, que tem o seu início marcado para 14 de março, no circuito internacional do Bahrain. Será o 61º mundial organizado pela FIA que parece finalmente ter encontrado a fórmula um - com o perdão do trocadilho - para criar campeonatos emocionantes nos últimos anos: as mudanças radicais de regras a cada temporada. Isto tem, em última análise, embaralhado as cartas, digo, os carros, tornando os resultados mais imprevisíveis e possibilitando a mais gente entrar na briga por vitórias.
A temporada 2010 de F-1 sofrerá alterações no sistema de pontuação, que passará a conceder bônus até o décimo colocado, na ordem 25-18-15-10-8-6-5-3-1 (ainda está sob avalição a possibilidade de serem pontuadas também a pole-position e volta mais rápida da corrida, mas não apostem muito nisso); na regra das corridas, com o banimento do reabastecimento e o aumento de número máximo de carros, que passarão a ter o peso mínimo alterado de 605 para 620 kg e pneus dianteiros mais finos. Parece pouco, mas em carros de corrida a modificação de uma parte geralmente cria um efeito dominó. Com o reabastecimento proibido durante as corridas, os carros terão que contar com tanques de combustíveis maiores, o que acarretará muito provavelmente num entre-eixos maior, o que afeta diretamente a parte aerodinâmica e mecânica, com várias peças tendo de ser reposicionadas e/ou redimensionadas de modo a otimizar espaço e encontrar o melhor centro de gravidade possível. Um grande desafio para os engenheiros.

Principal mundança das regras para 2010 consistirá no fim do reabastecimento. Ah... se já o tivessem proibido em 2008...
O treino classificatório terá resultados mais fidedignos, com as reais velocidades dos carros, pois, com o fim do reabastecimento todo mundo irá treinar com o mínimo de combutível possível. Isso tornará mais fácil para o torcedor comum - e por que não para os analistas? - a tarefa de fazer previsões para as corridas a partir do grid de largada. No ano passado, por exemplo, muitos brasileiros se iludiram quando o Rubinho foi para a última parte da classificação do GP Brasil com pouco combustível e conquistou a posição de honra, ainda com chances remotas de ser campeão, para se frustrarem posteriormente durante a prova quando ficou evidente que seu carro não era rápido o suficiente para acompanhar os mais rápidos.
Não bastassem as mudanças do regulamento, o próximo campeonato contará também com 6 novas equipes: a Mercedez que comprou a Brawn GP, a Sauber que readquiriu suas instalações da BMW e as novatas de fato, Lotus, Campos, Virgin e US F1. Toyota, BMW e Brawn despedem-se da categoria.
Porém, o que todos querem ver mesmo é o duelo dos excelentes pilotos que participarão deste mundial e que, em tese, terão carros competitivos. Na Ferrari a dupla Massa e Alonso; na Mclaren, Hamilton e Button; na Red Bull, Vettel e Webber; e na Mercedez, a volta do heptacampeão mundial Michael Schumacher e Nico Rosberg. Excluindo talvez o Webber e o Rosberg, que ainda precisam provar um pouco mais suas qualidades, todos os demais são pilotos de altíssimo calibre que já venceram ou levaram a disputa pelo título até as últimas provas em anos passados, prometendo uma briga muito encardida durante a temporada inteira.
Haverá ainda a estréia de alguns jovens pilotos promissores, como o atual campeão da GP2 e companheiro de Rubens Barrichello na Williams Niko Hülkemberg, os brasileiros Bruno Senna na Campos e Lucas di Grassi na Virgin, o argentino José Maria "Pechito" López na US F1 (este nem tão jovem nem tão promissor assim) sem considerar o piloto japonês Kamui Kobayashi que surpeendeu a todos com seu arrojo em duas corridas que fez na temporada passada e outros que podem pintar em vagas ainda não definidas por algumas equipes.
Não restam dúvidas que sinais não faltam para imaginarmos um campeonato de F-1 em 2010 bastante disputado, equilibrado e bastante emocionante. Mas já entendi que a lógica em alguns esportes, se existe, fala baixinho. Ou talvez sejam nossos ouvidos os incapazes de ouvi-la ou de compreenderem sua língua. Não importa. Quanto mais o imponderável se torna presente, mais emocionante costuma revelar-se um esporte.
Que tenhamos uma bela temporada de F-1 em 2010.
Por: Marcelo Balthar